SEGUNDA SEM DESCONTO ED #005
- há 11 minutos
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Sua empresa não precisa de mais clientes. Precisa parar de perder os que já estão tentando comprar.
O dinheiro que desaparece do seu comercial quase nunca aparece no DRE.
Tempo de leitura: aproximadamente 10 minutos.
Existe um tipo de problema empresarial que é particularmente perigoso.
Ele não aparece como despesa.
Não aparece no balanço.
Não gera boleto.
Não exige demissão.
Não aciona o jurídico.
E, por isso mesmo, costuma passar despercebido.
Ele simplesmente desaparece.
É a proposta que nunca recebeu follow-up.
O orçamento que demorou três dias para ser enviado.
O cliente que pediu informação e ninguém respondeu.
A oportunidade que ficou esquecida no CRM.
O vendedor que não retornou.
O representante que não prospectou.
O cliente antigo que reduziu compras e ninguém percebeu.
A negociação que morreu porque ninguém sabia quem deveria decidir.
O desconto concedido sem necessidade.
A venda que aconteceu, mas com uma margem tão ruim que quase não deveria ter acontecido.
Tudo isso tem um nome.
Vazamento comercial.
E talvez sua empresa esteja perdendo muito mais dinheiro por causa dele do que imagina.
O faturamento perdido não manda boleto
Esse é o problema.
Uma conta de energia chega.
Uma folha de pagamento chega.
Um imposto chega.
Uma matéria-prima chega.
Uma venda perdida não chega.
Ela simplesmente não acontece.
Por isso, o empresário olha para o faturamento do mês e pensa:
"Precisamos vender mais."
Talvez.
Mas existe outra pergunta que deveria vir antes:
"Quanto poderíamos ter vendido e não vendemos?"
Essa pergunta muda completamente a gestão comercial.
Porque talvez não exista um problema de geração de demanda.
Talvez exista um problema de conversão.
Talvez não faltem leads.
Faltem processos.
Talvez não faltem vendedores.
Falte gestão.
Talvez não falte mercado.
Falte velocidade.
Talvez não falte produto.
Falte estratégia comercial.
A empresa pode estar perdendo dinheiro em silêncio
Imagine uma empresa B2B que recebe 100 oportunidades comerciais em determinado período.
Ela envia proposta para 70.
Fecha 20.
À primeira vista, parece que o problema está nos 80 negócios que não fecharam.
Mas vamos olhar mais de perto.
Das 100 oportunidades:
15 receberam contato tarde demais;
10 foram mal qualificadas;
8 receberam proposta sem diagnóstico adequado;
12 ficaram sem follow-up consistente;
5 foram perdidas por prazo;
7 foram abandonadas porque ninguém sabia quem deveria conduzir a próxima etapa;
algumas simplesmente desapareceram.
Agora faça uma pergunta desconfortável:
Quantas dessas vendas foram realmente perdidas pela concorrência?
Talvez menos do que você imagina.
O concorrente talvez não tenha vendido melhor
Talvez ele apenas tenha perdido menos.
Essa diferença parece pequena.
Não é.
Uma empresa que converte 20% das oportunidades e outra que converte 30% não precisam necessariamente de 50% mais leads para crescer.
A segunda pode simplesmente estar administrando melhor aquilo que já chega.
É por isso que aumentar investimento em marketing antes de corrigir o processo comercial pode ser uma decisão cara.
Você pode colocar mais água em um balde furado.
O problema é que a água continua saindo pelo fundo.
E alguém, inevitavelmente, vai sugerir comprar um balde maior.
Café com Realidade ☕
Existe uma solução brasileira clássica para qualquer problema comercial:
"Vamos contratar mais um vendedor."
A venda caiu?
Mais vendedor.
O faturamento estagnou?
Mais vendedor.
A prospecção não funciona?
Mais vendedor.
O mercado ficou competitivo?
Mais vendedor.
O CRM está desorganizado?
Bem...
Talvez mais um vendedor.
É impressionante como, em algumas empresas, contratar vendedor virou uma espécie de tratamento universal.
Só esqueceram de perguntar qual é a doença.
Antes de contratar, descubra onde a receita está vazando
Uma operação de gestão comercial madura deveria conseguir responder algumas perguntas básicas.
Quantas oportunidades entram?
Quantas são qualificadas?
Quantas avançam?
Onde elas travam?
Quanto tempo permanecem em cada etapa?
Por que são perdidas?
Quanto tempo leva para o primeiro contato?
Quanto tempo leva para enviar uma proposta?
Quantas propostas recebem follow-up?
Qual é a taxa de conversão por vendedor?
Qual é a taxa de conversão por canal?
Qual é o ticket médio?
Qual é a margem média?
Quanto tempo dura o ciclo comercial?
Quais clientes estão comprando menos?
Quais clientes estão inativos?
Quais regiões apresentam maior potencial?
Se essas respostas não estão disponíveis...
Não existe inteligência comercial suficiente para tomar decisões comerciais com segurança.
Existe opinião.
E opinião é ótima para jantar.
Para administrar milhões de reais em vendas, eu prefiro dados.
O problema do "achismo" executivo
O dono diz:
"Meu time precisa prospectar mais."
O gerente diz:
"Precisamos de vendedores melhores."
O vendedor diz:
"Os leads são ruins."
O marketing diz:
"Vendas não trabalha os leads."
O financeiro diz:
"O comercial dá desconto demais."
A produção diz:
"O comercial promete prazo que não consegue cumprir."
Todo mundo tem uma explicação.
E, curiosamente, todas parecem plausíveis.
Esse é o perigo.
Quando não existe uma estrutura de indicadores comerciais, cada departamento constrói sua própria narrativa.
A empresa vira um congresso permanente de opiniões.
E o cliente continua esperando.
Gestão comercial não é cobrar vendedores
Essa talvez seja uma das maiores confusões do mercado.
Gestão comercial não é perguntar toda segunda-feira:
"Quanto você vendeu?"
Gestão comercial é compreender por que o resultado aconteceu.
Se vendeu pouco:
Foi falta de oportunidade?
Foi baixa conversão?
Foi preço?
Foi prazo?
Foi produto?
Foi abordagem?
Foi território?
Foi carteira?
Foi falta de follow-up?
Foi concorrência?
Foi capacidade produtiva?
Foi política comercial?
Foi posicionamento?
Sem diagnóstico, a cobrança vira teatro.
E teatro corporativo é caro.
Todo mundo fala.
Ninguém resolve.
A matemática que o empresário deveria conhecer
Vamos fazer uma conta simples.
Imagine uma empresa com:
100 oportunidades por mês.
Taxa de conversão:
20%.
Ticket médio:
R$ 10.000.
Resultado:
20 vendas.
R$ 200.000 em faturamento.
Agora imagine que a empresa consiga melhorar a conversão de 20% para 25%.
Sem contratar ninguém.
Sem aumentar o número de leads.
Sem aumentar investimento em mídia.
Sem abrir uma filial.
Sem trocar o produto.
Teremos:
25 vendas.
R$ 250.000.
São R$ 50.000 adicionais.
No mesmo volume de oportunidades.
Isso é performance comercial.
E é justamente por isso que estruturação comercial pode ser mais poderosa do que simplesmente aumentar o volume de prospecção.
Agora coloque isso em uma indústria
Aqui a conta pode ficar ainda mais interessante.
Uma indústria B2B normalmente trabalha com:
tickets maiores;
ciclos comerciais mais longos;
múltiplos decisores;
representantes comerciais;
distribuidores;
compradores;
especificadores;
negociações técnicas;
condições comerciais;
logística;
prazos;
margem;
recorrência.
Uma oportunidade perdida não representa apenas uma venda.
Pode representar meses ou anos de relacionamento.
É por isso que gestão comercial para indústria precisa ir muito além de "vender mais".
É necessário entender onde a receita está sendo perdida ao longo de toda a jornada comercial.
O cliente que ninguém percebeu que estava indo embora
Existe um dos vazamentos mais perigosos.
O cliente não reclama.
Ele simplesmente compra menos.
De R$ 100 mil para R$ 80 mil.
Depois R$ 60 mil.
Depois R$ 30 mil.
Até desaparecer.
Quando alguém percebe, já não existe mais uma negociação.
Existe uma tentativa de recuperação.
Uma empresa com inteligência comercial acompanha comportamento.
Não espera o cliente anunciar que está insatisfeito.
Analisa frequência.
Volume.
Mix.
Margem.
Intervalo entre compras.
Mudança de comportamento.
Porque a melhor venda perdida é aquela que ainda não aconteceu.
E aqui entra o CRM
CRM não deveria responder apenas:
"Quem são meus clientes?"
Deveria ajudar a responder:
"O que está acontecendo com minha receita?"
Um bom CRM, inserido em um processo comercial bem estruturado, deveria permitir que a gestão enxergasse:
oportunidades abertas;
oportunidades paradas;
motivos de perda;
tempo de ciclo;
taxa de conversão;
atividades;
carteira;
histórico;
previsão;
desempenho.
Mas existe uma regra:
CRM sem processo é apenas armazenamento de dados.
E dados sem gestão são apenas números.
A informação só vira inteligência quando alguém toma uma decisão melhor por causa dela.
O vazamento mais caro talvez seja o desconto
Agora vamos tocar em um assunto delicado.
Preço.
Existe empresa que perde margem tentando ganhar venda.
E existe empresa que perde venda porque não sabe defender valor.
São problemas diferentes.
Se o vendedor oferece desconto antes de compreender a necessidade do cliente, a empresa pode estar comprando faturamento com margem.
E faturamento sem margem tem uma característica curiosa:
ele parece crescimento até chegar ao banco.
Depois vira explicação.
O comercial precisa conversar com a operação
Outro vazamento clássico acontece quando o vendedor promete algo que a empresa não consegue entregar.
Prazo.
Quantidade.
Personalização.
Preço.
Condição.
O cliente compra.
A produção sofre.
A logística sofre.
O financeiro sofre.
O cliente sofre.
E, algumas semanas depois, o comercial precisa fazer uma ligação diplomática:
"Precisamos conversar sobre aquele prazo..."
A venda aconteceu.
Mas o relacionamento foi perdido.
Por isso, uma verdadeira estruturação comercial precisa conectar vendas com operação.
Comercial não pode ser uma ilha.
A empresa que cresce não necessariamente vende mais
Ela desperdiça menos.
Essa é uma mudança de perspectiva importante.
Imagine dois concorrentes.
Empresa A:
1.000 oportunidades.
200 vendas.
Empresa B:
700 oportunidades.
210 vendas.
Quem possui a operação comercial mais eficiente?
A empresa B.
Ela não precisou gerar mais oportunidades.
Precisou transformar melhor as que já tinha.
Isso é eficiência comercial.
Isso é produtividade comercial.
Isso é gestão.
A pergunta que quase ninguém faz
Quando uma empresa não bate a meta, normalmente pergunta:
"Quanto falta vender?"
Eu faria uma pergunta anterior:
"Onde estamos perdendo a venda?"
Porque "falta vender R$ 1 milhão" é um resultado.
Não é um diagnóstico.
Para transformar esse R$ 1 milhão em plano, precisamos saber:
Quantas oportunidades?
Qual ticket?
Qual conversão?
Qual ciclo?
Qual margem?
Qual carteira?
Qual canal?
Qual região?
Qual equipe?
Qual produto?
Qual capacidade?
Agora temos gestão.
A Lei da Gestão Comercial #005
Antes de buscar mais receita, descubra quanta receita sua empresa já está deixando escapar.
Essa é uma das leis que eu gostaria que todo diretor comercial colocasse na parede.
Porque crescimento não acontece apenas quando colocamos mais dinheiro no topo do funil.
Também acontece quando fechamos melhor aquilo que já está dentro dele.
O Erro Mais Caro da Semana 🚧
Comemorar o número de propostas enviadas.
Proposta não é venda.
Lead não é venda.
Reunião não é venda.
Oportunidade não é venda.
Até mesmo pipeline não é venda.
São etapas.
O que interessa é compreender a eficiência de cada etapa.
Uma empresa pode ter um pipeline gigantesco e estar comercialmente doente.
Pode ter centenas de propostas e pouquíssimos fechamentos.
Pode ter milhares de leads e nenhuma previsibilidade.
Volume sem conversão é apenas barulho com planilha.
O Desafio da Semana 🎯
Pegue as últimas 50 oportunidades comerciais perdidas.
Não olhe apenas o motivo registrado no CRM.
Se estiver escrito:
"Preço."
Não aceite.
Pergunte novamente:
Por que preço?
O concorrente ofereceu quanto?
O cliente percebeu diferença de valor?
Houve diagnóstico?
A proposta foi apresentada?
Houve follow-up?
O decisor participou?
O prazo influenciou?
O produto atendia à necessidade?
A oportunidade estava realmente qualificada?
Faça isso com as 50.
Você provavelmente descobrirá que o seu CRM está contando uma história muito mais simples do que a realidade.
E é justamente aí que começa a inteligência comercial.
O verdadeiro crescimento comercial
Existe uma obsessão empresarial por crescimento.
E com razão.
Mas crescimento sem estrutura pode criar uma empresa maior e mais desorganizada.
Mais clientes.
Mais reclamações.
Mais vendedores.
Mais pedidos.
Mais descontos.
Mais retrabalho.
Mais urgências.
Mais capital de giro.
Mais problemas.
Crescer não significa simplesmente aumentar o volume.
Crescer é aumentar o resultado sem aumentar proporcionalmente o caos.
Essa é a diferença entre expansão e escala.
Talvez sua empresa não precise de uma revolução
Talvez precise de precisão.
Talvez o problema não seja contratar.
Seja organizar.
Não seja vender mais.
Seja perder menos.
Não seja trocar o CRM.
Seja fazer o processo funcionar.
Não seja pressionar o vendedor.
Seja dar clareza.
Não seja reduzir preço.
Seja melhorar a proposta de valor.
Não seja aumentar o marketing.
Seja integrar marketing e vendas.
Não seja trabalhar mais.
Seja eliminar desperdício comercial.
É isso que uma boa consultoria comercial deveria fazer.
Não chegar com uma lista genérica de recomendações.
Entrar na operação.
Encontrar o vazamento.
Quantificá-lo.
Corrigi-lo.
Medir.
E construir um processo que permita que o resultado continue acontecendo depois.
Até a próxima segunda
Toda empresa possui dinheiro que ainda não ganhou.
Alguns desses recursos estão em novos mercados.
Outros estão em novos produtos.
Outros estão em novos clientes.
Mas uma parte significativa pode estar escondida em um lugar muito menos glamouroso:
nas oportunidades que já chegaram e foram mal conduzidas.
É por isso que, antes de perguntar:
"Como vender mais?"
Talvez seja melhor perguntar:
"Por que não estamos convertendo melhor aquilo que já conseguimos conquistar?"
Essa pergunta parece menos ambiciosa.
Na prática, pode valer milhões.
Porque uma operação comercial realmente madura não vive apenas de encontrar novas oportunidades.
Ela aprende a extrair mais valor de cada oportunidade que recebe.
E quando uma empresa domina esse processo...
ela deixa de depender exclusivamente de sorte, indicação, vendedor estrela ou mercado favorável.
Ela começa a construir algo muito mais poderoso:
previsibilidade comercial.
E previsibilidade é o ponto em que vendas deixam de ser esperança e começam a se transformar em gestão.
Péricles Contreras
CEO da DPara Consultoria em Vendas | Estruturação Comercial



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